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Ana Paula Motta
Professora e Jornalista (nem sempre nessa ordem)
Mãe amorosa desse blog e mais amorosa ainda de um rapaz lindo de 14 anos. Redescobri minha paixão primeira: escrever. E ler, tudo que me dá vontade, hábito nunca abandonado, mas hoje retomado com mais vigor. Estou descobrindo, ainda que tardiamente, que disciplina, na medida certa, faz muito bem à vida e por isso tenho algum tempo reservado no dia à leitura e a escrita. Gosto de postar quando estou minimamente feliz, quando não estou bem escrevo “no sacrifício”. Não espere encontrar desabafos em momentos de tensão. Para os desabafos pessoais uso textos para mim mesma, e-mails para os amigos e o bom e velho bloco de papel nas madrugadas de insônia. Apaixonada por poesia, cinema, gastronomia e criança boazinha (pra quem adoro contar histórias minhas e alheias). Gosto de jardins com folhas e flores, fotos no celular, livros e revistas por toda parte. Na minha vida tem espaço para ser piegas, choro em filme romântico, show de rock e sonhos ao amanhecer. Um pedaço de lua, de rua, de cotidiano comum.
"É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras."
Eugénio de Andrade
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Amanhecer Olhava encantado a languidez natural com que ela acordava. O nariz vermelho e um pouco inchado davam a ela um ar de adolescente. Espreguiçava-se, dizia "Bom dia!" e sempre ouvia de volta um bem humorado: "Preguiçosa!". As segundas-feiras ganhavam sempre um ar feliz. |
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escrito por João Ana Paula Motta 25-01-2012 02:51
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Chuva de dezembro O céu tingido de cinza,mais forte que o som dos trovões é a força da água que desaba inclemente. Um pranto tão intenso quando a dor de quem perde um grande amor. O céu de dezembro chora pelo ano que se vai, esperançoso de dias melhores, mas com um certo travo amargo das despedidas. |
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escrito por João Ana Paula Motta 28-12-2011 19:00
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Manhã de Natal 
Nas manhãs de Natal adoro sentar sozinha à mesa para saborear uma rabanada acompanhada de um bom café. É a minha hora mágica, quando o resto da casa ainda dorme. Um dia desses ainda acabo por encontrar um velhinho de gorro vermelho |
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escrito por João Ana Paula Motta 28-12-2011 18:57
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Todos os Sonhos de Natal  Sem palavras, apenas sinto o Natal. |
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escrito por João Ana Paula Motta 14-12-2011 23:05
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Maria Alice e a morte  Maria Alice é a minha amiga mais próxima. Digo que nos conhecemos desde sempre. Tem uma rabugice única, um bom coração e é a mais passional das criaturas, o que pode ser muito ruim ou muito bom. Minha amiga tem teorias singulares sobre várias coisas, a teoria sobre a morte e os fatos que a envolvem são de fazer rir. Odeio gente que não sabe se comportar em velório. Velório é lugar de dor e não de contar piadas “para fazer esquecer o sofrimento” como os engraçadinhos inconvenientes apregoam. Velório não é lugar para roupas coloridas, nem lugar para decotes. Eu já avisei: quem aparecer vestida de maneira inadequada no meu velório vai arcar com as consequências. Eu volto para puxar o pé na mesma noite. Acho tão bonito uma viúva de luto. Hoje em dia esqueceram o luto. Acho o luto fundamental para a saúde emocional. Ele tem sua razão de ser. É momento de chorar, de coração dorido. Quem não vive o luto paga o preço em algum momento. E para isso um pretinho básico ajuda muito. Detesto escândalo em velório. Choro verdadeiro não é escandaloso. Desmaios também me irritam. Quem sofre de verdade, chora, chora sem som, abraça os amigos, molha o rosto sempre que sente um nó na garganta. Gente que ameaça se jogar no túmulo para mim é sem educação e falsa. Quem sofre, apenas chora, chora muito. Se usar óculos escuros fica sem dúvida um choro beirando á perfeição. Gosto de véus negros, pena que hoje quase ninguém usa chapéus com véu então... No velório do meu marido ameacei usar um chapéu, fui demovida da idéia. Usei meu véu negro e um terço. Chorei muito. Gosto de chorar. Usei um mês de luto fechado e outros tantos de luto menos rigoroso. Vivi minha dor. Sobrevivi.
Essa é apenas a primeira das histórias da minha amiga, vou contar sempre que der vontade. Seu nome foi trocado por razões óbvias. |
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escrito por João Ana Paula Motta 03-11-2011 01:00
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Refogado

Vejo a tarde cair, o sol se por, o céu ficar gris e o vento soprar impaciente. O ar empoeirado dá lugar à aragem da noite que chega. Alho, cebola, cenoura, couve, toucinho e abóbora menina, temperados com duas lágrimas fujonas. A chuva tamborila no telhado. A porta se abre sem alarde. Ele entra com os pés enlameados, sorriso no rosto e fome. Muita fome. Alívio e frio na barriga. Nunca fui boa em pressentimentos. |
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escrito por João Ana Paula Motta 16-10-2011 01:46
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Balada da Neve Por um motivo muito particular posto aqui o poema de Augusto Gil. 
Batem leve, levemente, como quem chama por mim. Será chuva? Será gente? Gente não é, certamente e a chuva não bate assim. É talvez a ventania: mas há pouco, há poucochinho, nem uma agulha bulia na quieta melancolia dos pinheiros do caminho... Quem bate, assim, levemente, com tão estranha leveza, que mal se ouve, mal se sente? Não é chuva, nem é gente, nem é vento com certeza. Fui ver. A neve caía do azul cinzento do céu, branca e leve, branca e fria... Há quanto tempo a não via! E que saudades, Deus meu! Olho-a através da vidraça. Pôs tudo da cor do linho. Passa gente e, quando passa, os passos imprime e traça na brancura do caminho... Fico olhando esses sinais da pobre gente que avança, e noto, por entre os mais, os traços miniaturais duns pezitos de criança... E descalcinhos, doridos... a neve deixa inda vê-los, primeiro, bem definidos, depois, em sulcos compridos, porque não podia erguê-los!... Que quem já é pecador sofra tormentos, enfim! Mas as crianças, Senhor, porque lhes dais tanta dor?!... Porque padecem assim?!... E uma infinita tristeza, uma funda turbação entra em mim, fica em mim presa. Cai neve na Natureza e cai no meu coração. Augusto Gil |
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escrito por João Ana Paula Motta 05-10-2011 19:05
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Meia estação 
Nas manhãs claras alimentam-se de intensidades. |
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escrito por João Ana Paula Motta 26-09-2011 21:31
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Três anos do meu cantinho mais querido Meu primeiro blog ontem fez três anos com mais de 190 mil acessos. Infelizmente o blog anda meio abandonado porque não tenho muito tempo livre e estou pouco inspirada.
Abaixo o primeiro texto. Noites de insônia são boas para...Houve um tempo em que a insônia me desesperava. Hoje cheguei a conclusão de que noites não tão bem dormidas podem ser aproveitadas de muitas formas. Uma muito últil (pelo menos para mim) é sonhar acordada, coisa que tão pouco nos permitimos nessa vida tão agitada que a maioria de nós leva. Sonhar acordada ao contrário do que pensam os pessistas, os "sérios" e os chatos em geral, é uma maneira mais colorida de fazer planos. E para quem gosta de viver fazer planos é como um sopro de oxigênio. Pois é no primeiro momento da minha, digamos "insônia produtiva", os sonhos de olhos abertos me tomam de assalto, assim naturalmente. Desse mundo onírico muita coisa boa acaba saindo, até ver as coisas as de uma maneira mais saudável, os caminhos parecem mais abertos. Outra forma muito interessante de aproveitar a falta de sono é pensar textos. Isso mesmo pensar em meus texto, que muitas vezes não são escritos por falta de tempo para simplesmente "parar" no meio do dia. À noite eles se impõem, meio que me dizendo "Você não nos dá atenção e agora vai ter que nos ouvir". As idéias vão se encadeando de uma maneira meio mágica, alguns diriam que é inspiração, eu acho que é simplesmente voltar a exercitar uma capacidade que sempre foi cotidiana e que com o tempo e a mudança de hábitos deixou de ser. Escrever é exercício. Quando a idéia é muito boa, e olha que para ser considerada assim ela tem que se esforçar e me provar, acabo saindo da cama e escrevendo do velho modo: caneta e papel. Muitos rabiscos depois volto para a cama e volto a dormir, quase sempre. é como se o cérebro estivesse numa fase de tanta atividade que acabasse por me impor os textos. Não posso reclamar. Alguém deve se perguntar: "Como ela sobrevive sem dormir" . Vale esclarecer que sempre me deitei tarde e agora de uns meses até hoje venho deitando muiiiito cedo, por volta de 10, 10 e meia da noite e isso me faz acordar lá pelas 2 ou 3 h. Ou seja quando o sono é interrompido já dormi 4 ou 5 horas de sono. Lá pelas 6h me levanto arrumo o café da manhã e o lanche do meu filho e o mando para a escola. Aí, volto para cama e, não raro, volto a dormir até 8 ou 8 e meia. No fim das contas quase sempre durmo mais de 6 horas, o que para mim tem sido mais que suficiente. Afinal quando passamos dos 40 anos, dizem, nosso corpo precisa de menos horas de sono para se reestabelecer. Acho que até lidar bem com a falta de sono tem sido uma maneira mais madura de ver a vida. Por hoje, é só...
escrito por João Ana Paula Motta 31-07-2008 16:494 comentários |
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escrito por João Ana Paula Motta 01-08-2011 23:28
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Sombras  Seguia a caminho de casa depois de um dia quase perfeito. Foi surpreendida pelo cair repentino da noite. A rua longa, as casas em ruínas, o som dos seus passos rompendo o silêncio. Em menos de dois minutos venceu o quarteirão e as sombras à espreita. Reconfortou-se nas sirenes estridentes, no trânsito caótico, no corre-corre. Voltou ao mundo dos vivos. |
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escrito por João Ana Paula Motta 13-07-2011 17:10
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Matin froid 
Nós, uma manhã fria e um bule de chá. A vida e seus momentos perfeitos. sinto-me:  |
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escrito por João Ana Paula Motta 13-06-2011 19:05
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Entre as cinzas da manhã  Pintou de rosa chá a melancolia. Adoçou com mel. Saiu para enfrentar o vento frio... morta de medo. |
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escrito por João Ana Paula Motta 17-05-2011 01:38
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Venit ventus 
A felicidade surge de repente com o vento sul. Desarruma os cabelos, aquieta o coração. Abro os braços e deixo-me levar. |
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escrito por João Ana Paula Motta 27-04-2011 20:48
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Todos os Sonhos de Abril Minha alma ainda dormia Meu corpo ainda dormia Em abril, meio do dia
Sua alma me seguia Seu corpo me queria Em abril, meio do dia Minha alma se perdia Meu corpo te pedia Em abril... Meio do dia |
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escrito por João Ana Paula Motta 25-04-2011 03:31
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A casa cor de rosa
Ela acordou sentindo um cheiro de maresia, o edredon florido jogado no chão, a essa altura cheio de areia. A maresia e a areia vinham junto com ele, assim como o pão quentinho. Sentiu a presença do corpo molhado de mar. Sorriu e abriu os olhos. Depois de uma noite de febre, acordou bem disposta e feliz. Deprimia-se quando uma gripe chegava . Só os cuidados dele a confortavam e davam segurança. Chá com mel e um abraço. Coca-cola.Santos remédios. Abraçaram-se e olharam juntos pela janela. A ressaca do mar trazia areia e água até a avenida à beira-mar. Adorava a imagem do mar bravio, com ondas estourando violentas, a espuma branca salpicando no ar. Amanhecer feliz na casinha cor-de-rosa, uma rotina que nunca cansava. |
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escrito por João Ana Paula Motta 20-03-2011 03:38
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Gouttes par jou Feliz descasca batatas tece sonhos ouve "amo-te" numa quinta pela manhã. |
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escrito por João Ana Paula Motta 24-02-2011 15:48
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"Gotas de sabedoria", rs...  Trocar o inflar por em flor... |
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escrito por João Ana Paula Motta 27-01-2011 13:14
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Constatação 
Poema de Lya Luft que não encontrei em um dos tantos livros que tenho,mas na internet. CANÇÃO DA PLENITUDE
Não tenho mais os olhos de menina nem corpo adolescente, e a pele translúcida há muito se manchou. Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura agrandada pelos anos e o peso dos fardos bons ou ruins. (Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.) O que te posso dar é mais que tudo o que perdi: dou-te os meus ganhos. A maturidade que consegue rir quando em outros tempos choraria, busca te agradar quando antigamente quereria apenas ser amada. Posso dar-te muito mais do que beleza e juventude agora: esses dourados anos me ensinaram a amar melhor, com mais paciência e não menos ardor, a entender-te se precisas, a aguardar-te quando vais, a dar-te regaço de amante e colo de amiga, e sobretudo força -- que vem do aprendizado. Isso posso te dar: um mar antigo e confiável cujas marés -- mesmo se fogem -- retornam, cujas correntes ocultas não levam destroços mas o sonho interminável das sereias.
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escrito por João Ana Paula Motta 17-01-2011 02:34
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170 mil visitas  |
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escrito por João Ana Paula Motta 07-01-2011 02:45
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O Amor no Éter - Adélia Prado  Há dentro de mim uma paisagem entre meio-dia e duas horas da tarde. Aves pernaltas, os bicos mergulhados na água, entram e não neste lugar de memória, uma lagoa rasa com caniço na margem. Habito nele, quando os desejos do corpo, a metafísica, exclamam: como és bonito! |
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escrito por João Ana Paula Motta 28-12-2010 13:37
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