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Blog Pessoal de Cátia Mendes

Farsa de Inês Pereira, Gil Vicente

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  Dezembro 1999

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Farsa de Inês Pereira


 
Quem foi Gil Vicente?
 

Gil Vicente... 

Foi o mais importante dramaturgo português. Ourives do reino, mestre de balança da Casa da Moeda, autor da famosa Custódia de Belém, representa, em 1502, o Auto da Visitação (Monólogo do Vaqueiro), perante a rainha parturiente, sendo este o início de uma carreira fecunda de comediógrafo, regular e brilhante. A sua obra representa o encontro da herança medieval, sobretudo nos géneros e na medida poética (utiliza sistematicamente a métrica popular, em autos e farsas), com o espírito renascentista de exercício crítico e de denúncia das irregularidades institucionais e dos vícios da sociedade.

Entre as suas inúmeras obras contam-se: o Auto da Índia, 1509, farsa que critica o abandono a que o embarque eufórico e sistemático dos Portugueses para o Oriente, em cata de riquezas, vota a pátria e as situações familiares; os Autos das Barcas (Barca do Inferno, 1517; Barca do Purgatório, 1518; Barca da Glória, 1519), peças de moralidade, que constituem uma alegoria dos vícios humanos; Auto da Alma, 1518, auto sacramental, que encena a transitoriedade do homem na vida terrena e os seus conflitos entre o bem e o mal; Quem Tem Farelos?, 1515, Mofina Mendes, 1515, e Inês Pereira, 1523, que traçam quadros populares de intensidade moral, simbólica ou quotidiana, em urdiduras de cómico irresistível e de alcance satírico agudo e contundente.
É muito rica a galeria de tipos em Gil Vicente, e variada a gama da sua múltipla expressão, desde a poetização do mais comum, até à religiosidade refinada e aos conteúdos abstractos e ideológicos que defende ou satiriza.

Fonte: Instituto Camões

 

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escrito por Cátia Mendes 23-12-1999 04:15
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Farsa de Inês Pereira
 

 

Farsa de Inês Pereira



Curiosidades sobre a Farsa de Inês Pereira

 

A Farsa de Inês Pereira é uma peça de teatro escrita por Gil Vicente, onde retrata a ambição de uma criada da classe média. Desafiado por aqueles que duvidavam do seu talento, Gil Vicente concorda em escrever uma peça que comprove o provérbio "Mais quero asno que me leve, que cavalo que me derrube". A peça foi apresentada pela primeira vez a D. João III no Convento de Cristo, Tomar, em 1523. Tecnicamente, é a mais perfeita obra vicentina, pela unidade de acção que apresenta. Esta peça pode ser dividida em quatro partes pricipais, ou quadros, ou em oito cenas. No entanto não há uma divisão explicita, pelo autor, em actos. Toda a peça gira à volta da personagem principal Inês Pereira que nunca saí de cena. As disdacálias são escassas, não há mudança de cenário, e a mudança de cena é só pautada pela entrada ou saída de personagens.

 Farsa de Inês Pereira   Resumo da obra

Inês Pereira, moça simples e casadoira mas com grande ambição procura marido que seja astuto, sedutor, “que saiba tanger viola, e eu coma cebola.” A mãe de Inês, preocupada com a sua filha, sua educação e casamento, incita-a a casar com Pero Marques, pretendente arranjado pela alcoviteira Lianor Vaz, no entanto Inês Pereira não se apraz do filho do lavrador, por este ser ignorante e inculto. Entretanto entram em peça dois “casamenteiros judeus” que também cuidavam de arranjar marido para Inês, e se bem procuraram melhor acharam e Inês casa com um escudeiro, de sua graça Brás da Mata. Este casamento depressa se revela desastroso para Inês, que por tanto procurar um marido astuto acaba por casar com um que antes de sair em missão para Africa, dá ordens ao seu moço que fique a vigiar Inês e que a tranque em casa de cada vez que sair à rua. Brás da Mata, era um escudeiro falido que casou com Inês de forma a poder aproveitar-se do seu dote. Três meses após a sua partida, Inês recebe a prazerosa noticia de que o seu marido foi morto por um mouro. Não tarda em querer casar de novo, e é nesse mesmo dia que Lianor Vaz lhe traz a noticia que Pero Marques, continua casadoiro, de resto como este tinha prometido a Inês aquando do primeiro encontro destes. Inês casa com ele logo ali, e já no fim da história aparece um falso monge que se torna amante da protagonista. O ditado “mais quero asno que me carregue que cavalo que me derrube”, não podia ser melhor representado do que na ultima cena da obra quando o marido a carrega em ombros até ao amante, e ainda canta com ela “assim são as coisas”.

Farsa de Inês Pereira


Temática

 

A temática da peça está profundamente ligada à realidade vivida pela sociedade portuguesa da época de Gil Vicente: o desejo de ascensão social da pequena burguesia, que vê no casamento numa forma de consegui-la, o oportunismo, o desprezo pela vida camponesa e o prestígio das maneiras cortesãs, a ignorância do rústico, embora rico camponês e sua ingenuidade, a falta de escrúpulos (núcleo da peça).

Fonte: Wikipédia

Para saber mais:

Para saber mais: http://www.portoeditora.pt/bdigital/default.asp?obra=17¶m=08020100


escrito por Cátia Mendes 23-12-1999 04:09
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