Ler + Escolas

Neste site poderá conhecer os projectos e iniciativas lançados pelo PNL, bem como as actividades realizadas pelas escolas, no âmbito dos Livros e da Leitura

Registo no PNL

Saiba como fazer o registo e inscrição nas actividades no Plano Nacional de Leitura
saber mais

Calendário de Eventos

Setembro de 2014


Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Dom
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 1 2 3 4 5
Hoje: 17/09/2014

Leitura nas Escolas

Pesquise ou envie informação sobre actividades realizadas nas escolas - saber mais

Livros Recomendados

Biblioteca de Livros Digitais

  • O Nuno escapa à gripe A
  • Lavo as minhas mãos
  • O gato Gonçalves
  • Os opostos
  • A joaninha vaidosa
  • Inês vai ao circo

Formar leitores - A leitura na sala de aula

Para formar leitores é indispensável criar situações que proporcionem múltiplos contactos com livros e permitam desenvolver em parceria a competência da leitura e o gosto pela leitura.

A aquisição da competência pressupõe experiências de aprendizagem que induzam o domínio progressivo da complexidade de funções envolvidas no acto de ler: a decifração, a compreensão, a representação mental do conteúdo e a reacção afectiva ao texto escrito. O gosto pela leitura decorre fundamentalmente das reacções afectivas resultantes do contacto com os livros.

Existem muitos tipos de estratégias destinadas a assegurar a competência da leitura, que os professores utilizam de acordo com a orientação pedagógica que imprimem ao seu trabalho e com a especificidade das turmas.

Relativamente à promoção do gosto pela leitura, muito mais do que a utilização de estratégias, o factor essencial reside na reacção afectiva positiva que se desencadeia ou não no contacto entre o leitor e o livro. Independentemente da abordagem efectuada, um livro dá ou não dá prazer a quem o lê por motivos imponderáveis, de foro individual. Não há pois nenhum livro capaz de dar prazer a toda a gente. Por isso, a primeira regra para promover o gosto pela leitura é proporcionar o contacto dos leitores com uma grande diversidade de livros, para aumentar a probabilidade de que cada um encontre os livros-chave que lhe abrirão as portas do interesse pela leitura e do hábito de ler de livre vontade.


- Modalidades de organização da sala de aula:

 

Modalidades de organização

Vantagens

Inconvenientes

Colectiva

Assegura que os livros são efectivamente lidos.

O professor imprime um ritmo correcto à leitura em voz alta (feita pelo professor ou pelos alunos) o que facilita a compreensão.

O professor acompanha as reacções dos alunos o que lhe permite utilizar uma entoação apelativa; parar para prestar esclarecimentos; acelerar ou reduzir o ritmo; etc.

O diálogo que se segue à leitura pode ser dominado pelos alunos mais comunicativos ou mais seguros de si.

O professor pode deixar-se iludir pela reacção positiva de alguns alunos e não se aperceber da reacção negativa ou da indiferença de outros.

Grupos

(com mais de 4 alunos)

No diálogo que se segue à leitura pode surgir mais diversidade de ideias e de opiniões e estimular a argumentação entre pares.

Estimula a autonomia e pode gerar empatias novas entre os alunos.

Exige silêncio e leitura silenciosa individual, o que se torna difícil numa turma.

É necessário alterar a disposição das carteiras na sala.

Exige bom entendimento entre os elementos do grupo.

Alguns alunos podem alhear-se sem que o professor se aperceba.

Grupos

(de 3 ou 4 alunos)

Tem as mesmas vantagens do que o trabalho com grupo maior, reforçada pelo facto de haver menos elementos e portanto maior proximidade entre todos.

Basta rodar duas cadeiras para reorganizar a disposição da sala.

Exige silêncio e leitura silenciosa individual, o que se torna difícil numa turma.

Exige bom entendimento entre os elementos do grupo.

Alguns alunos podem alhear-se sem que o professor se aperceba.

 

Pares

Permite um diálogo mais intenso e uma maior interacção entre alunos.

Permite ao professor detectar mais facilmente se algum dos alunos se alheou.

Exige silêncio e leitura silenciosa individual, o que se torna difícil numa turma.

Exige bom entendimento entre os elementos do grupo.

Individual

Estimula a autonomia.

Não permite o alheamento na sequência da leitura se o aluno tiver que realizar uma tarefa e apresentar um resultado concreto.

Exige silêncio e leitura silenciosa individual, o que se torna difícil numa turma.

Sem tarefa individual, na sequência da leitura, o aluno pode fingir que lê e alhear-se.

 

Obstáculos ao gosto pela leitura - Práticas a evitar:

Algumas práticas destinadas a assegurar a competência da leitura podem, em certos casos, resultar em obstáculos ao gosto pela leitura.

Práticas que podem criar obstáculos ao gosto pela leitura.

Questões a ponderar

Soluções possíveis

Prolongar demais a leitura de um mesmo livro

O tempo dedicado à leitura e às actividades em torno de cada livro deve ter em conta a idade dos alunos e o interesse efectivo que revelam pelo livro.

Considerar todo o ano lectivo na planificação da leitura e incluir várias obras, vários géneros, vários autores. Uma planificação deste tipo ajuda a tomar consciência do ritmo que é necessário imprimir ao trabalho com cada obra. É desejável que o professor tente cumprir o que programou mas poderá naturalmente fazer ajustes, reduzindo ou prolongando ligeiramente o tempo dedicado a cada obra de acordo com as reacções dos alunos.

Dividir a análise do livro em partes de tal forma que cada uma por si não adquira significado que possa interessar aos alunos.

Trabalhar com um livro na aula implica naturalmente pausas na leitura. As pausas devem respeitar unidades de sentido para que os alunos não se percam, nem se desinteressem pela continuação.

Só o conhecimento do livro permite ao professor um trabalho bem articulado. No caso de livros informativos a divisão em partes tem que respeitar unidades de conteúdo: no caso de narrativas curtas, cenas completas; no caso de livros com capítulos, a leitura por capítulos em geral é uma boa solução.

Dividir um livro em partes e atribuir a leitura e a análise de cada parte a um aluno ou grupo de alunos

Alunos que lêem apenas partes de livros, não só não adquirem uma compreensão global do conteúdo, como dificilmente se interessam ou sequer recordam o que leram.

Este género de prática só se pode levar a cabo com livros informativos em que as unidades de conteúdo não tenham precedência, ou com livros de poesia. Narrativas ou textos dramáticos não se prestam a este tipo de

 

 

organização do trabalho.

Repetir o mesmo tipo de estratégia com livros diferentes.

A repetição de estratégias leva os alunos a encarar a leitura como uma actividade rotineira, pouco apelativa.

As estratégias de abordagem de cada livro devem conter sempre alguma novidade e suscitar progresso.

Ler e analisar livros que os alunos já leram e analisaram anteriormente.

Para crianças e adolescentes a análise de uma obra que já conhecem não é encarada como um aprofundamento enriquecedor, mas sim como uma repetição desmotivante.

Considerando a extraordinária riqueza e diversidade da oferta de livros adequados a crianças e jovens, não é admissível insistir em repetições.

Inibir o prazer do texto com excesso de análise, de fichas de compreensão, de avaliação, de autoavaliação, ou com outro tipo de actividades.

O excesso de actividades complementares em torno de qualquer livro desvirtua o essencial que é a compreensão e a adesão.

O diálogo, um registo escrito, ou uma outra qualquer actividade complementar podem reforçar a compreensão e o gosto pela leitura. O excesso é sempre de evitar.

Quebrar o particular entusiasmo que um livro suscitou com exercícios de análise de texto, de funcionamento da língua, ou com actividades a que os alunos não aderem.

O genuíno e espontâneo entusiasmo por um livro, tal como por qualquer actividade formativa, pode ser quebrado ou destruído por actividades sequentes.

Se a leitura de um livro desencadear um entusiasmo particularmente vivo, é desejável que, em vez de impor tarefas, o professor deixe campo aos alunos para que manifestem espontaneamente a sua adesão. O mesmo se recomenda para uma ida ao teatro ou a um concerto, ou para uma visita a um museu inesperadamente bem sucedida.

Não variar de autores, nem de géneros literários ao longo do ano lectivo.

A infância e a adolescência são períodos propícios ao alargamento de horizontes no domínio da leitura, como noutros domínios.

A oferta actual de livros infanto-juvenis cobre todos os géneros e inclui obras de autores portugueses e estrangeiros, tradicionais ou contemporâneos. Uma planificação bem

 

 

articulada entre os vários anos de escolaridade assegurará a todos os alunos o contacto com uma extraordinária e enriquecedora multiplicidade de livros.

Tomar como adesão colectiva o entusiasmo de um aluno ou de um pequeno grupo de alunos da turma.

Na dinâmica da aula é frequente o professor tomar como comum a todo o grupo o que na verdade só diz respeito ao aluno ou grupo de alunos que se manifestam.

O professor deverá estar atento aos alunos que não se manifestam, ou se manifestam pouco, a fim de saber a verdade sobre as suas reacções e poder considerar as suas necessidades na programação.

Confundir actividades lúdicas associadas a livros como uma efectiva promoção do gosto pela leitura.

As iniciativas lúdicas em torno de livros são desejáveis, mas acessórias e podem criar a ilusão de que são suficientes para promover o gosto pela leitura, dispensando as actividades essenciais.

As actividades lúdicas associadas aos livros e à leitura, como os concursos, a semana da leitura, ou os jogos e passatempos são úteis, mas devem reforçar e não substituir o trabalho continuado, pelo que o excesso é sempre de evitar.